Há muitos anos fui passar um verão em Maceió. Foi na época do Natal, nunca vou me esquecer. Meus filhos eram pequenos e levei os presentes do Papai-Noel escondidos na mala. Um fato dessa viagem nunca me saiu da cabeça: o zelador do prédio onde nos hospedamos. Um homem bem gordo, me lembro bem.
Todas as manhãs ele deitava de lado – com seu barrigão pra fora – numa mureta que na minha lembrança não deveria ter mais de trinta centímetros. E lá ficava. Inerte. Meio anestesiado pelo calor.
Se a gente perguntava alguma coisa, ele respondia uns grunhidos sem levantar nem mesmo os olhos.
E só hoje entendi o torpor que aquele homem sentia.
O restaurantinho onde almoço todos os dias estava sem ar-condicionado.
Quando me dei conta estava meio que deitada na cadeira. Toda torta.
Só não achei uma mureta para me acomodar…
